sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

O que vai acontecer em 2009?

É, uma boa pergunta. Mas é uma pergunta comum também, a qual repetimos de 365 em 365 dias. É bem verdade que nesta época, até antes de fazer esta pergunta, nós começamos a pensar no que desejamos, e ainda não conseguimos. E desejamos então ardentemente, conseguir realizar aquilo no ano que chega. As pessoas fazem simpatias, usam cores, festejam. Muitas oram, realizam cultos reliogiosos. Outras viajam com um grupo de amigos, algumas vão rever a família. Na hora da virada, muita energia é dispendida, por tantos desejos eminentes, e também pelos artifícios de diversão utilizados pela maioria das pessoas numa festa como essa.

Então chega o dia seguinte, feriado, tudo mundo se recuperando. Nesse dia pensamos: Amanhã tudo recomeça. E levamos para os dias que vamos viver, aquele desejo guardado no coração. Só que muitas vezes os dias passam, e passam os meses. E nada de novo acontece efetivamente. E você trabalha, estuda, namora, se esforça. Mas mesmo assim, aquela mudança, aquela virada, aquela conquista... não acontece. Isso ocorre por que esquecemos que não adianta só desejar. Não é só querer. Tem que realizar, tem que evidenciar, tem modificar alguma coisa. Querer é obviamente necessário, e mais que isso, é absolutamente fundamental. Mas não é a solução, se for um sentimento isolado de ação, e de sabedoria.

Que neste ano de 2009, cada um de nós consiga entender o que precisa modificar dentro de si, para poder compreender o que for necessário, e assim realizar com suas próprias mãos, todos os seu desejos.

beijos,
Joana

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Feliz 2009!

Plantem as sementes da paz pelo grande caminho do diálogo

Mensagem de Ano-Novo

BRASIL SEIKYO, EDIÇÃO Nº 1969, PÁG. A1, 01 DE JANEIRO DE 2009.

Daisaku Ikeda, presidente da SGI

Sinceras congratulações e os melhores votos neste festivo início do Ano dos Jovens e da Vitória!

O sol Soka continua a iluminar o mundo com a revigorante e eterna luz de um novo amanhecer, revelando um claro caminho de esperança e boa sorte para todos os povos. Tenho certeza de que ele brilhará com mais intensidade ao longo da história da humanidade.

Lancemo-nos orgulhosamente a este ano de extraordinário triunfo, visando ao 80o aniversário da Soka Gakkai e ao 35o aniversário da SGI em 2010!

Em 1974, há 35 anos, visitei a China e a antiga União Soviética. Ambas as nações viviam em clima de tensão. No Japão, uma enxurrada de críticas caíam sobre mim. Por não entenderem os reais motivos, muitos questionavam a viagem a nações que não tinham uma crença religiosa. Porém, encontrei e conversei com muitos cidadãos comuns em cada uma dessas nações, criando laços de amizade. Acreditava firmemente que um intercâmbio entre os povos, por transcender todas as diferenças, era o caminho para construir uma base inabalável para a paz. Também engajei-me numa franca discussão com os líderes das duas nações.

No ano seguinte, em janeiro de 1975, viajei para os Estados Unidos e lá também empreendi significativos diálogos com líderes-chave para a paz.

Quase no fim da minha estada em terras norte-americanas, ainda em janeiro, a SGI foi fundada na Ilha de Guam. Ou seja, a organização foi estabelecida em meio aos esforços para aproximar os Estados Unidos, a China e a União Soviética. O diálogo foi a estratégia empregada num mundo coberto pelas nuvens escuras da Guerra Fria.

A história nos ensina a amarga lição de que o coercivo equilíbrio de potências e as tentativas de resolver conflitos pela força militar só criam mais divisões. O diálogo é a chave para edificar a paz e conquistar a vitória de nossa humanidade interior. Desde que a SGI foi estabelecida, essa verdade continua a ecoar vibrantemente pelo globo terrestre como o brado dos cidadãos do mundo.

René Dubos (1901-1982), eminente microbiologista franco-americano, com quem me encontrei por recomendação do historiador britânico Arnold J. Toynbee (1889-1975), advertiu: “Apesar das conquistas científicas e tecnológicas, sofremos de falta de reação, de coragem, e nos tornamos uma sociedade conservadora, satisfeita com o atual curso dos acontecimentos”.1

Hoje, a humanidade necessita de coragem e esperança para escolher um novo caminho de mudanças — em prol do desenvolvimento sustentável e da paz duradoura. Transmitir energia, coragem e a filosofia da esperança às sociedades do mundo inteiro, eis a missão da SGI.

Nosso movimento não é algo abstrato ou fora da realidade diária. Manifesta-se na relação com as pessoas a nossa volta, do convívio imediato — nossa vizinhança, comunidade e sociedade. É um movimento que se propaga de pessoa a pessoa, por meio do sincero diálogo de vida a vida.

O Dr. N. Radhakrishnan, famoso estudioso de Gandhi e defensor dos direitos humanos, com quem compartilhei vários pensamentos, também observou que “o verdadeiro diálogo transforma pontos de vista conflitantes, que dividem povos, em pontes que os unem”.2 Tenho encontrado e conversado com milhares de líderes e pensadores de diferentes nacionalidades, etnias, religiões e ideologias. Em cada um desses encontros, quanto maior a diferença entre nós, mais me concentro em compreender o pensamento e o sentimento alheio. Amizade pura e sincera é o que move minhas ações.

Embora existam inúmeras diferenças entre os homens, ainda assim, são seres humanos. Todos se deparam com as mesmas questões fundamentais da existência — nascimento, envelhecimento, doença e morte. Não é exagero dizer que o diálogo entre civilizações é essencialmente um diálogo entre seres humanos, uma vida tocando outra, um coração se comunicando com outro.

Sêneca, filósofo da Roma antiga, descreveu o efeito que a filosofia deve ter em nossa vida: “A primeira coisa que a filosofia deve proporcionar é o sentimento de solidariedade, companheirismo e sociabilidade”.3 Essas qualidades são igualmente importantes para nós. No mundo moderno, as relações estão se tornando cada vez mais superficiais e transitórias. Precisamos, portanto, edificar uma nova comunidade que seja um oásis para o coração humano. Com apoio e respeito mútuos, podemos estabelecer e expandir a rede de amizade. Em vez de nos fecharmos em nossa concha, precisamos nos abrir e contribuir ativamente para a prosperidade e a melhoria da sociedade.

A Lei Mística é a fonte de poderoso vigor e criatividade para abrir o caminho de uma nova era, de uma nova sociedade. Nós, da SGI, ao compartilharmos os laços de mestre e discípulo e uma missão infinitamente profunda, demonstramos o poder fundamental da Lei Mística nas comunidades do mundo inteiro.

Nitiren Daishonin declara: “Um grande mal prenuncia a chegada de um grande bem. Se todo o Jambudvipa [o mundo inteiro] for atirado ao caos, não haverá dúvida de que [o Sutra de Lótus] ‘será amplamente propagado por todo o Jambudvipa’”.4 Nosso mundo enfrenta desafios intimidadores, dentre os quais se destacam as questões ambientais urgentes e a crise financeira “do século”. Em meio a tudo isso — com o surgimento de líderes jovens, na camada popular, bradando por mudanças — entramos num período de transformação e harmonia históricas.

O mundo procura por uma força unificada de cidadãos comuns, pessoas-chave para a construção de uma sociedade melhor.

Em nosso mundo, os membros da SGI são presença de valor inestimável. Cada um dos senhores gera ondas de diálogo por meio de esforços pacientes e perseverantes, contribuindo para o bem de suas respectivas comunidades como pilares de confiança, olhos de consciência e grandes naus de esperança.5 Da perspectiva do budismo, os senhores são tesouros genuínos de seu país, tesouros preciosos da humanidade.

Nitiren Daishonin diz: “Grande alegria é a que uma pessoa experimenta quando compreende pela primeira vez que, desde o início, é um buda. O Nam-myoho-rengue-kyo é a maior das alegrias”.6 Sempre que os senhores se lançam corajosamente ao diálogo e tocam o coração de alguém, chegam à profunda consciência da dignidade da vida e geram ondas de contagiante alegria de viver a inúmeras outras pessoas.

O grande humanista holandês Erasmo (1469-1536) declarou em nome da paz: “A denominação comum ‘ser humano’ é suficiente. Nada mais é necessário acrescentar para os homens conviverem em harmonia”.7 Ele também disse: “[Seria melhor] refletir: se este mundo, o planeta Terra, é a pátria comum de todos que nele respiram e vivem, então, o nome de uma pátria é razão suficiente para unir seus compatriotas”.8 As palavras de Erasmo ressoam profundamente com os nossos ideais.

O movimento da SGI em prol da paz, da cultura e da educação em concordância com os princípios universais de humanismo e alicerçado na Lei Mística — o ensino da suprema dignidade da vida — propagou-se para 192 países e territórios. Solidamente estabelecidas estão as bases do Kossen-rufu mundial. Junto com os senhores, meus nobres amigos, criei o tempo e estabeleci o palco para a propagação mundial do Budismo de Nitiren Daishonin.

Sinto imensa alegria ao ver os estimados membros da Divisão dos Jovens conduzirem o bastão da paz, que eu lhes passei, pelo grande caminho Soka rumo ao infinito futuro.

Meu mestre e segundo presidente da Soka Gakkai, Jossei Toda, bradou a todos nós: “Desenvolvam pessoas de capacidade! Este é o caminho mais seguro para a vitória no futuro!” Esta é a regra dourada para o sucesso.

Dediquem-se na criação de jovens que venham a se tornar líderes ainda mais capazes que os senhores. Façam a vida brilhar com o nobre espírito de mestre e discípulo e ergam o mais digno “castelo do povo” e a mais sólida “fortaleza de jovens” nunca antes vistos na história do Kossen-rufu.

Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832), grande escritor alemão, declarou:

“Como desfrutar uma vida longa e feliz?”
Deves sempre buscar o que há de mais sublime:
O sublime desconhecido oferece muitas coisas,
E a ele tempo e eternidade não impõem limites.9

As atividades diárias da SGI — por meio das quais os senhores lapidam e elevam a condição de vida, bem como ajudam outros a fazer o mesmo — são uma fonte infinita de valor que brilhará eternamente. Constituem esforços louváveis pela paz que adornarão a vida com elevada satisfação, alegria e realização.

Minha esposa e eu continuaremos a recitar sincero Daimoku para que os senhores, preciosos companheiros, desfrutem perfeita saúde, longa vida, harmonia e felicidade, e para que a comunidade e o país de cada um usufrua segurança e prosperidade.

Avancemos juntos neste novo ano, atuando com disposição para conquistarmos grandes vitórias, com o coração embalado por uma canção de júbilo e glória!

Em 1o de janeiro de 2009

Daisaku Ikeda

Presidente da Soka Gakkai Internacional

Notas: 1. DUBOS, René. Reason Wake (O Despertar da Razão). Nova York: Columbia University Press, 1970, p. 75. 2. RADHAKRISHNAN, N. The Living Dialogue: Socrates to Ikeda (Diálogo Vivo: de Sócrates a Ikeda). Nova Délhi: Gandhi Media Center, 2006, p. 35. 3. SENECA, Ad Lucilium, Epistulae Morales. Richard M. Gummere, trad. Cambridge, Massachusetts: Harvard University Press, 1989, v. 1, p. 21. 4. The Writings of Nichiren Daishonin, v. 1, p. 1122. 5. Em “Abertura dos olhos”, Daishonin diz: ”Eu serei o pilar do Japão. Eu serei os olhos do Japão. Eu serei a grande nau que conduzirá o Japão. Este é o meu juramento, jamais recuarei um único passo!” (Os Escritos de Nitiren Daishonin, v. 4, p. 201). 6. Ongui Kuden (Registro dos Ensinos Orais), pp. 211-212. 7. Erasmo, The Complaint of Peace (O Protesto da Paz). Nova York: Cosmo, Inc., 2004, p. 9. 8. Ibidem, p. 60. 9. GOETHE, Johann Wolfgang. “Zahme Xenien III” (Gentle Epigramas III), in Gedichte, 1800-1832 (Poemas, 1800-1832), compilado por Karl Eibl. Frankfurt am Main: Deutscher Klassiker Verlag, 1988, p. 643.